Vi-me hoje confrontada, por alguém que muito me diz, a continuar esta minha odisseia.
Sem grande inspiração resolvi substituir o "falar por falar" pelo "escrever por escrever".
Vai daí, lembrei-me das estações do ano e mais precisamente do outono: o meteorológico e o da vida.
Do primeiro toda a gente sabe que com ele vêm os dias mais pequenos, a chuva, o frio, a paisagem amarela acastanhada e o desejo de tudo que é mais quentinho.
Do outro (o outono da vida) posso dizer que em tudo se assemelha. A vida torna-se mais rápida e nem os momentos menos bons escapam à fugacidade. Põe-se em dúvida o que era como certo e começa a escapar-nos a capacidade de nos sabermos capazes de enfrentar a proximidade de uma estação mais agreste.
Há, por vezes, lampejos de esperança e os dias do Santo Martinho em que o sol se apresenta a armar-se em dias de verão, dão um novo sentido ao acordar.
Para mim há dias de outono tão bonitos de alegria aos de uma primavera ou verão. O espírito é que manda. Quando essa parte de nós está disposta (bem) consegue retirar de um dia chuvoso e frio a ideia de tristeza e apenas o aconchego de uma lareira ( nada de recuperadores de calor) , de uma simples chávena de chá quente, de um cobertor ( que em nada substitui o amor ou o carinho) serve para o dia perfeito.
O cair da folha serve de desculpa para a queda do cabelo ou a recaída na depressão. Essa é a forma mais simples de fugirmos a melhores e mais reais explicações e à custa desses lugares comuns da idiotice humana caímos em certezas assumidas, por profissionais das coisas, que ajudam a tirar o sentido das magníficas hipóteses que temos de dar a volta.
Acabo esta minha dissertação a afirmar que qualquer das quatro estações serve para ser feliz e que se a folha que cai morre, fertiliza a árvore que lhe deu a vida para que torne a verdejar vezes sem conta e deixem-me ter a esperança de que em cada nova folha estará um pouquinho da folha atrás caída...
Da vossa outonal amiga;
GU
sábado, 20 de novembro de 2010
sábado, 25 de setembro de 2010
O Estado do Orçamento
Quem me conhece, bem sabe que não sou rapariga de politicar muito a vida, ou seja, dou pouca importância aos telejornais na parte das queixinhas e troca de galhardetes da Assembleia da República.
Considero porém que é impossível, mesmo ao mais distraído português, não sentir, nestes últimos tempos, que algo vai mal, neste cantinho à beira mar... onde há 36 plantamos uma revolução para mudar a ordem das coisas e banirmos a ditadura.
Não sou das que alguma vez pedi a mão de Salazar de volta. Não me faz falta lembrar a miséria contada e alguma até sentida, desse absolutismo.
Vivemos agora os contrários do outrora. Senão vejamos:
À miséria contrapõe-se o desperdício.
À censura, o sensacionalismo.
Ao medo, o descaramento.
À injustiça, uma justiça sem nexo.
E ao heroísmo, a corrupção.
Também não sou das que penso, embora às vezes o diga, que deviam-nos anexar de novo a Espanha. E fico até ofendida, quando deparo, ou antes, não deparo, na capital de Portugal, aquando a emissão dos boletins meteorológicos internacionais, dando azo, como todos sabemos, a que parte dos estrangeiros pensem que o nosso país é uma província espanhola e consequentemente a nossa capital é Madrid( essa sim já figura na dita informação).
Tenho, sem dúvida, o secreto desejo de mobilizar a nação e mostrar que a espada de D. Afonso Henriques ainda corta o que é preciso para reerguer o nosso patriotismo e garantirmos aos filhos dos nossos, a opção de querer cá viver, sem recorrerem a subsídios e rendimentos da preguiça que é grande inimiga da dignidade de ser português ou portuguesa.
Agora não me perguntem a melhor forma de lá chegar, pois não vos sei responder: muito menos sucintamente. Só vos quero exprimir a sensação de que teremos de recomeçar por algum sítio e não esmorecer ao primeiro entrave.
Padeiras de Aljubarrota não nos hão-de faltar e já agora vos digo que não há certeza absoluta de que D. Sebastião tenha perecido e por isso podemos continuar a desejar...
Desta vossa portuguesa;
GU
Considero porém que é impossível, mesmo ao mais distraído português, não sentir, nestes últimos tempos, que algo vai mal, neste cantinho à beira mar... onde há 36 plantamos uma revolução para mudar a ordem das coisas e banirmos a ditadura.
Não sou das que alguma vez pedi a mão de Salazar de volta. Não me faz falta lembrar a miséria contada e alguma até sentida, desse absolutismo.
Vivemos agora os contrários do outrora. Senão vejamos:
À miséria contrapõe-se o desperdício.
À censura, o sensacionalismo.
Ao medo, o descaramento.
À injustiça, uma justiça sem nexo.
E ao heroísmo, a corrupção.
Também não sou das que penso, embora às vezes o diga, que deviam-nos anexar de novo a Espanha. E fico até ofendida, quando deparo, ou antes, não deparo, na capital de Portugal, aquando a emissão dos boletins meteorológicos internacionais, dando azo, como todos sabemos, a que parte dos estrangeiros pensem que o nosso país é uma província espanhola e consequentemente a nossa capital é Madrid( essa sim já figura na dita informação).
Tenho, sem dúvida, o secreto desejo de mobilizar a nação e mostrar que a espada de D. Afonso Henriques ainda corta o que é preciso para reerguer o nosso patriotismo e garantirmos aos filhos dos nossos, a opção de querer cá viver, sem recorrerem a subsídios e rendimentos da preguiça que é grande inimiga da dignidade de ser português ou portuguesa.
Agora não me perguntem a melhor forma de lá chegar, pois não vos sei responder: muito menos sucintamente. Só vos quero exprimir a sensação de que teremos de recomeçar por algum sítio e não esmorecer ao primeiro entrave.
Padeiras de Aljubarrota não nos hão-de faltar e já agora vos digo que não há certeza absoluta de que D. Sebastião tenha perecido e por isso podemos continuar a desejar...
Desta vossa portuguesa;
GU
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Blá Blá
Pois é meus amigos, muitas vezes penso que tenho a profissão do blá blá.
Dantes a melhor designação para a mesma, seria a de caixeira viajante, embora penso que pertencia mais ao género masculino.
Bem burras eram as representações passadas, por não admitirem e aproveitarem o poder argumentativo, de persuasão e de exagero do clã feminino.
Na nossa classe, sexualmente falando, há as moscas mortas e as fala barato.
Eu pertenço, sem demagogia alguma, à última. Há um dia por outro ( o meu marido assegura que são mais) em que me mantenho de mau humor quase as 24 horas, zangada muitas vezes com não sei o quê.
Tenho um colega de profissão, pertencente à espécie masculina, outra vez sexualmente falando, porque o sobrenome Robalo, faz-me sempre lembrar, sem ofensa, a minha ida ao Modelo...
Voltando ao que vinha, o Sr. Ângelo Robalo que é conhecido por muitos como o "pobre alegrete", sempre com a piada na ponta da língua (ou da guelra:), costumava justificar a sua postura de vida por se lembrar um belo dia( parece-me que foi um domingo ) ter acordado e decidir logo nesse primeiro momento, que iria andar aborrecido durante uma semana, para ver se a vida lhe sorriria da mesma forma: pobremente.
Qual não foi o seu espanto, transmitiu-me ele, que passado oito dias continuava sem cheta, malgré a aposta de 4 euros no Euromilhões , preenchido de cara fechada, e do qual só se safou uma estrela com o seu número de fé: o quatro.
Ora a conclusão foi a óbvia: mais vale alegrete pobre do que tristete, pobre também.
Pois, mas com isto perdi-me ao que vinha: dar-vos a conhecer a minha forma de vida, agora profissionalmente falando, para vos ir prevenindo que muitas estórias ireis ler da minha história das vendas.
Há que admitir que é dos empregos com mais diversidade de experiências humanas. Aí, tanto eu como o Robalo, somos N de ricos.
Quando me quero armar, costumo dizer que a minha ocupação tem de muito de psiquiatra, antes de psicóloga, porque pelo que sei a primeira pode escrever receitas e, nesse campo, o mais parecido foi talvez o dia em que dei um Benuron 500, que trago sempre comigo, à Maria do Céu de Fiães, cliente cuja máxima é de que as suas vêem pulgas em Roma.
Agora que o meu marido me chama para ir para a cama (digam lá se não é delicioso este pormenor descritivo a roçar a revista do paparazi pimba?), só tenho tempo para vos dizer que hoje estou contente com a vida e prometo voltar à carga para quem quiser saber mais.Para quem não quiser o meu muito obrigada por existirem e me darem força, sem querer, de provocar com o que vocês intitulam de "maluquices".
Da vossa Maluquinha de Baguim;
Gu ( Blá Blá)
Dantes a melhor designação para a mesma, seria a de caixeira viajante, embora penso que pertencia mais ao género masculino.
Bem burras eram as representações passadas, por não admitirem e aproveitarem o poder argumentativo, de persuasão e de exagero do clã feminino.
Na nossa classe, sexualmente falando, há as moscas mortas e as fala barato.
Eu pertenço, sem demagogia alguma, à última. Há um dia por outro ( o meu marido assegura que são mais) em que me mantenho de mau humor quase as 24 horas, zangada muitas vezes com não sei o quê.
Tenho um colega de profissão, pertencente à espécie masculina, outra vez sexualmente falando, porque o sobrenome Robalo, faz-me sempre lembrar, sem ofensa, a minha ida ao Modelo...
Voltando ao que vinha, o Sr. Ângelo Robalo que é conhecido por muitos como o "pobre alegrete", sempre com a piada na ponta da língua (ou da guelra:), costumava justificar a sua postura de vida por se lembrar um belo dia( parece-me que foi um domingo ) ter acordado e decidir logo nesse primeiro momento, que iria andar aborrecido durante uma semana, para ver se a vida lhe sorriria da mesma forma: pobremente.
Qual não foi o seu espanto, transmitiu-me ele, que passado oito dias continuava sem cheta, malgré a aposta de 4 euros no Euromilhões , preenchido de cara fechada, e do qual só se safou uma estrela com o seu número de fé: o quatro.
Ora a conclusão foi a óbvia: mais vale alegrete pobre do que tristete, pobre também.
Pois, mas com isto perdi-me ao que vinha: dar-vos a conhecer a minha forma de vida, agora profissionalmente falando, para vos ir prevenindo que muitas estórias ireis ler da minha história das vendas.
Há que admitir que é dos empregos com mais diversidade de experiências humanas. Aí, tanto eu como o Robalo, somos N de ricos.
Quando me quero armar, costumo dizer que a minha ocupação tem de muito de psiquiatra, antes de psicóloga, porque pelo que sei a primeira pode escrever receitas e, nesse campo, o mais parecido foi talvez o dia em que dei um Benuron 500, que trago sempre comigo, à Maria do Céu de Fiães, cliente cuja máxima é de que as suas vêem pulgas em Roma.
Agora que o meu marido me chama para ir para a cama (digam lá se não é delicioso este pormenor descritivo a roçar a revista do paparazi pimba?), só tenho tempo para vos dizer que hoje estou contente com a vida e prometo voltar à carga para quem quiser saber mais.Para quem não quiser o meu muito obrigada por existirem e me darem força, sem querer, de provocar com o que vocês intitulam de "maluquices".
Da vossa Maluquinha de Baguim;
Gu ( Blá Blá)
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
O meu 25 de Abril
Suponho que tenha sido o Zeca ( o Afonso) que tenha redigido a frase:
"Não há machado que corte a raíz ao pensamento"
E tenho a certeza que nunca chegou a saber que cantá-la me custou uma bela bofetada, daquelas que popularmente se diz " ficar de cara ao lado", administrada pela mão pesada do meu pai, que poucas vezes a usava para esse efeito, justiça lhe seja feita.
A culpa desse gesto deveu-se a outro Zé ( o meu primo), que à laia de querer vir estudar para ser padre, teve de ficar uns dias em nossa casa, antes de dar entrada no seminário Bom Pastor, em Ermesinde.
Passados 40 anos desse episódio da minha vida, não o reconhecerei, com toda a certeza, atrás de um qualquer altar, mas não se apagará, além do comentado tabefe, a alegria de o ver trautear poemas tão cheios de imagens que até para mim, com apenas duas mãos cheias de anos, me faziam sonhar com algo que não sabia explicar até àquele dia 25.
E foi assim que pela primeira vez ouvi falar de comunistas, apresentados como os verdadeiros culpados do derramamento provável ( agora sei que só provável) de sangue. Tenho a informar o partido que esse boato lhes tem custado, desde então, um voto.
O antes faz-me pensar na licença da televisão, nos fiscais(futura ASAE ?) da mercearia dos meus pais e que instauraram a caça à multa, a roupa para ir à missa, o leite não pasteurizado que agora se designa leite do dia, a colher diária do óleo de fígado de bacalhau, para ter direito à refeição escolar grátis e , entre muitas outras, a sensação do medo inerente.
Seria ilógico não me referir à guerra do Ultramar , igual ou não a qualquer outra, mas de certeza tão estúpida , que além de matar, literalmente muito decepava: física e espiritualmente. Não sei se será perdoável perante o cenário descrito, dizer que eu era feliz...
O depois traz-me o desejo de gritar, em jeito de continuação à canção inicial que "porque é livre como o vento": o pensamento. Então lembro a liberdade de expressão, os centros comerciais, o usa e deita fora (reciclando, se possível), a Internet, palavra que dá erro se escrever com letra pequena( vá-se lá saber porquê!) e a vontade de pedir que se reescreva a revolução, nem que apenas um bocadinho, por cada um, todos os dias, se possível de manhã que é quando começa o dia e em que temos obrigação de sentir que vale a pena mudar para melhor. E garanto, que às vezes, também sou feliz...
Da vossa revolucionária amiga;
Gu
P.S.: Soube (pelo amigo Google) que afinal a canção a que me refiro foi escrita por Carlos Oliveira e cantada por Manuel Freire, mas mantenho o texto por achar que tinha assentado muito bem ao Zeca e por ter sempre acreditado que era dele .
p.s. do P.S.: e por um um nadinha de preguiça ?
"Não há machado que corte a raíz ao pensamento"
E tenho a certeza que nunca chegou a saber que cantá-la me custou uma bela bofetada, daquelas que popularmente se diz " ficar de cara ao lado", administrada pela mão pesada do meu pai, que poucas vezes a usava para esse efeito, justiça lhe seja feita.
A culpa desse gesto deveu-se a outro Zé ( o meu primo), que à laia de querer vir estudar para ser padre, teve de ficar uns dias em nossa casa, antes de dar entrada no seminário Bom Pastor, em Ermesinde.
Passados 40 anos desse episódio da minha vida, não o reconhecerei, com toda a certeza, atrás de um qualquer altar, mas não se apagará, além do comentado tabefe, a alegria de o ver trautear poemas tão cheios de imagens que até para mim, com apenas duas mãos cheias de anos, me faziam sonhar com algo que não sabia explicar até àquele dia 25.
E foi assim que pela primeira vez ouvi falar de comunistas, apresentados como os verdadeiros culpados do derramamento provável ( agora sei que só provável) de sangue. Tenho a informar o partido que esse boato lhes tem custado, desde então, um voto.
O antes faz-me pensar na licença da televisão, nos fiscais(futura ASAE ?) da mercearia dos meus pais e que instauraram a caça à multa, a roupa para ir à missa, o leite não pasteurizado que agora se designa leite do dia, a colher diária do óleo de fígado de bacalhau, para ter direito à refeição escolar grátis e , entre muitas outras, a sensação do medo inerente.
Seria ilógico não me referir à guerra do Ultramar , igual ou não a qualquer outra, mas de certeza tão estúpida , que além de matar, literalmente muito decepava: física e espiritualmente. Não sei se será perdoável perante o cenário descrito, dizer que eu era feliz...
O depois traz-me o desejo de gritar, em jeito de continuação à canção inicial que "porque é livre como o vento": o pensamento. Então lembro a liberdade de expressão, os centros comerciais, o usa e deita fora (reciclando, se possível), a Internet, palavra que dá erro se escrever com letra pequena( vá-se lá saber porquê!) e a vontade de pedir que se reescreva a revolução, nem que apenas um bocadinho, por cada um, todos os dias, se possível de manhã que é quando começa o dia e em que temos obrigação de sentir que vale a pena mudar para melhor. E garanto, que às vezes, também sou feliz...
Da vossa revolucionária amiga;
Gu
P.S.: Soube (pelo amigo Google) que afinal a canção a que me refiro foi escrita por Carlos Oliveira e cantada por Manuel Freire, mas mantenho o texto por achar que tinha assentado muito bem ao Zeca e por ter sempre acreditado que era dele .
p.s. do P.S.: e por um um nadinha de preguiça ?
domingo, 22 de agosto de 2010
O Inter Rail da Saudade
Começo esta pequena confissão sem saber o que dizer, ou antes, com a ideia de que não irá sair nada que se aproveite...Valha-me a persistência e a pitada de auto-convencimento!
Chego à conclusão de que a vida é uma fatia de improviso. Por esse motivo, estamos constantemente a ser postos à prova: noves fora nada. Vou tomar ( não propriamente ao calhas! ) o exemplo de ser mãe.
Fui presenteada com dois varões, existindo diferença de quase seis anos entre os partos e, devo ter assumido que seria tudo mais ou menos conforme devia ser. Explico: tentaria passar aos meus descendentes aquilo que aprendi com a experiência e, quase nunca, repetir o que considerava mau exemplo na educação dada por meus pais. O "quase" existe porque tenho como norma não ser radical, em linguagem popular "não cuspir para o ar"!
A esperança média de vida nas mulheres em Portugal ronda os 80 anos, mas se fosse o dobro teria mais hipóteses para mudar de opinião outras tantas vezes. Perto dos 50, a vida já me trocou muitas certezas.
Indo directa ao assunto, tenho de admitir que tenho saudades de ser a mãe que manda e é obedecida, mesmo que usando alguma força e sujeitando-me à possível troca :( "-Quando fores ao supemecado bou contigo e bou compar uma mãe nova :(.
Tenho vontade de voltar atrás e tirar partido uma vez mais ou, vezes sem conta, do que foi desperdiçado ou pensado como menos importante.
A colheita do que semeei são dois excelentes filhos, modéstia incluída, duas personalidades opostas. Habitualmente dizia que tinha um Becas e um Egas, embora também nos sentimentos, nunca soubesse qual era qual. E eis a primeira máxima deste episódio: Educação Igual não significa o mesmo Resultado, embora também exista uma mínima : os meus dois filhos têm o mesmo interior, se é que me faço entender. Se não faço, paciência. Este blog destina-se a quem me percebe, peço desculpa...
A "Rua Sésamo" serviu até à adolescência. Ultrapassada essa fase etária, digo que tenho um Che (Guevara e não Gabara) e outro que não o é, mas é tanto o mesmo para mim. Já disse, e repito, que este capítulo é para quem entende o Amor, está bem?
Todos temos um herói, ou um anti. Nem sempre soube é que alguns de nós somos obrigados a ter um, sem o escolher. O meu, o de livre vontade, seria um dos da ficção, tipo o Super Homem ou Aranha, embora não tenha nada contra El Che, o argentino-cubano. Não entendem? Pesquisem, porque eu assim o fiz!
Ao navegar na sua biografia descobri a coincidente asma, aventura, persistência de ideias quase (?) fixas, a revolução e acima de tudo, por tão actual, as duas viagens em La Poderosa, atrevo-me a dizer Inter Rails do passado e tão presente para mim.
Ao cresceres dentro de mim, ao puxares, em direcção contrária, logo de início, pelo cordão umbilical, quiçá por saberes o mundo que não desejas, ao transformares grande parte do que te imprimi num livro mais completo e mostrares que os contrários se justificam, só te posso pedir que me incluas na tua aventura que não quero aceitar, mas sei que tem de ser, por não haver outra forma!
Num dos episódios anteriores ( ver caixa ) disse ter sido informada de que não devia começar o blog a pedir desculpa, mas não sei se terá importância acabar com o mesmo pedido. Vou arriscar e fazê-lo, por esta carta indirecta e ter sido tão cruelmente directa com quem, supostamente, já não me estará a ler, por desistência num dos parágrafos atrás...
Aos que ficaram, o meu muito obrigada e, para ti, o meu beijo especial e único;
Gu ( mãe )
P.S.: "NÃO QUERO NUNCA RENUNCIAR À LIBERDADE DELICIOSA DE ME ENGANAR" - Ernesto Che Guevara
Chego à conclusão de que a vida é uma fatia de improviso. Por esse motivo, estamos constantemente a ser postos à prova: noves fora nada. Vou tomar ( não propriamente ao calhas! ) o exemplo de ser mãe.
Fui presenteada com dois varões, existindo diferença de quase seis anos entre os partos e, devo ter assumido que seria tudo mais ou menos conforme devia ser. Explico: tentaria passar aos meus descendentes aquilo que aprendi com a experiência e, quase nunca, repetir o que considerava mau exemplo na educação dada por meus pais. O "quase" existe porque tenho como norma não ser radical, em linguagem popular "não cuspir para o ar"!
A esperança média de vida nas mulheres em Portugal ronda os 80 anos, mas se fosse o dobro teria mais hipóteses para mudar de opinião outras tantas vezes. Perto dos 50, a vida já me trocou muitas certezas.
Indo directa ao assunto, tenho de admitir que tenho saudades de ser a mãe que manda e é obedecida, mesmo que usando alguma força e sujeitando-me à possível troca :( "-Quando fores ao supemecado bou contigo e bou compar uma mãe nova :(.
Tenho vontade de voltar atrás e tirar partido uma vez mais ou, vezes sem conta, do que foi desperdiçado ou pensado como menos importante.
A colheita do que semeei são dois excelentes filhos, modéstia incluída, duas personalidades opostas. Habitualmente dizia que tinha um Becas e um Egas, embora também nos sentimentos, nunca soubesse qual era qual. E eis a primeira máxima deste episódio: Educação Igual não significa o mesmo Resultado, embora também exista uma mínima : os meus dois filhos têm o mesmo interior, se é que me faço entender. Se não faço, paciência. Este blog destina-se a quem me percebe, peço desculpa...
A "Rua Sésamo" serviu até à adolescência. Ultrapassada essa fase etária, digo que tenho um Che (Guevara e não Gabara) e outro que não o é, mas é tanto o mesmo para mim. Já disse, e repito, que este capítulo é para quem entende o Amor, está bem?
Todos temos um herói, ou um anti. Nem sempre soube é que alguns de nós somos obrigados a ter um, sem o escolher. O meu, o de livre vontade, seria um dos da ficção, tipo o Super Homem ou Aranha, embora não tenha nada contra El Che, o argentino-cubano. Não entendem? Pesquisem, porque eu assim o fiz!
Ao navegar na sua biografia descobri a coincidente asma, aventura, persistência de ideias quase (?) fixas, a revolução e acima de tudo, por tão actual, as duas viagens em La Poderosa, atrevo-me a dizer Inter Rails do passado e tão presente para mim.
Ao cresceres dentro de mim, ao puxares, em direcção contrária, logo de início, pelo cordão umbilical, quiçá por saberes o mundo que não desejas, ao transformares grande parte do que te imprimi num livro mais completo e mostrares que os contrários se justificam, só te posso pedir que me incluas na tua aventura que não quero aceitar, mas sei que tem de ser, por não haver outra forma!
Num dos episódios anteriores ( ver caixa ) disse ter sido informada de que não devia começar o blog a pedir desculpa, mas não sei se terá importância acabar com o mesmo pedido. Vou arriscar e fazê-lo, por esta carta indirecta e ter sido tão cruelmente directa com quem, supostamente, já não me estará a ler, por desistência num dos parágrafos atrás...
Aos que ficaram, o meu muito obrigada e, para ti, o meu beijo especial e único;
Gu ( mãe )
P.S.: "NÃO QUERO NUNCA RENUNCIAR À LIBERDADE DELICIOSA DE ME ENGANAR" - Ernesto Che Guevara
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Brincar ao amor
Nunca será demais o elogio aos bons sentimentos, onde o amor é rei sol.
O casamento do meu filho foi a sua personificação. Não direi nas quase 150 pessoas que assistiram, mas em muitas de alma aberta para brincar ao amor. E eu fartei-me de brincar!
Se fosse um filme o dia 01 de Agosto de 2010 seria"Um Longo Domingo de Noivado".
Se fosse uma canção seria "Purple Rain".
Se fosse um livro era com certeza "O Principezinho" de toda a biblioteca.
Dizem que a perfeição é irreal, mas tenho como seguro que senti-la é possível. Fui testemunha desse facto, à margem de alguns pequenos contratempos que, incrivelmente, a tornaram possível.
Os que já assistiram a este tipo de bodas, sabem que são rotineiras, vezes sem conta a roçar o enfadonho.
Mãe do noivo não será para levar muito a sério, mas se até o habitual "Corta Sabores" ficou esquecido, quem sou eu para negar que houve magia no ar dos corações: os tais de alma aberta, que refiro nas primeiras linhas?
O casamento para mim será sempre a instituição mais vazia de significado e a menos credível de fidelizar qualquer boa intenção. O da igreja e o do registo idem aspas.
Vai daí, quem me segue nestas solitárias tertúlias, terá de acreditar que algo de especial se passou este domingo e que o amor levou a melhor !
Há quem tenha tendência de catalogar esse grande sentimento: há o amor de mãe, o de irmão, o da esposa, o do cão, do gato e mais alguns, mas dividir, neste caso, sabe-me a banalizar o maior dos maiores.
E por aqui me fico ao acreditar neste bom presságio e pedir a todos que me lêem que gritem (baixinho) comigo:
VIVA O AMOR !!
Desta vossa apaixonada confidente;
Gu
O casamento do meu filho foi a sua personificação. Não direi nas quase 150 pessoas que assistiram, mas em muitas de alma aberta para brincar ao amor. E eu fartei-me de brincar!
Se fosse um filme o dia 01 de Agosto de 2010 seria"Um Longo Domingo de Noivado".
Se fosse uma canção seria "Purple Rain".
Se fosse um livro era com certeza "O Principezinho" de toda a biblioteca.
Dizem que a perfeição é irreal, mas tenho como seguro que senti-la é possível. Fui testemunha desse facto, à margem de alguns pequenos contratempos que, incrivelmente, a tornaram possível.
Os que já assistiram a este tipo de bodas, sabem que são rotineiras, vezes sem conta a roçar o enfadonho.
Mãe do noivo não será para levar muito a sério, mas se até o habitual "Corta Sabores" ficou esquecido, quem sou eu para negar que houve magia no ar dos corações: os tais de alma aberta, que refiro nas primeiras linhas?
O casamento para mim será sempre a instituição mais vazia de significado e a menos credível de fidelizar qualquer boa intenção. O da igreja e o do registo idem aspas.
Vai daí, quem me segue nestas solitárias tertúlias, terá de acreditar que algo de especial se passou este domingo e que o amor levou a melhor !
Há quem tenha tendência de catalogar esse grande sentimento: há o amor de mãe, o de irmão, o da esposa, o do cão, do gato e mais alguns, mas dividir, neste caso, sabe-me a banalizar o maior dos maiores.
E por aqui me fico ao acreditar neste bom presságio e pedir a todos que me lêem que gritem (baixinho) comigo:
VIVA O AMOR !!
Desta vossa apaixonada confidente;
Gu
sábado, 10 de julho de 2010
A medida da dor
Pois não sei como começar ao que venho, por ser tão profundo e daí custar arrancar.
Todos os que me são chegados sabem a paixão assolapada que tenho por cães. Costumo dizer que consigo ler os seus olhos.
Contudo, devo dizer que este sentimento tão forte se evidenciou nos últimos anos. Recordo-me que na infância e adolescência vivi rodeada de gatos e, quem me segue, sabe até que a minha mãe era a avó do miau...
Quero dizer que penso que este amor foi-se instalando devagarinho, depois de ter comigo os meus 2 últimos peludos: o Black e a Luna. Há quem diga que o mais velho ( o Black) nem ia muito comigo!
Mas o amor e a sua reciprocidade tem destas coisas: vai-se infiltrando sem se dar conta momentânea e cresce sempre, enquanto deixarmos. E eu deixei, rendi-me à ternura desigual e à fidelidade que não pede exclusivo.
Não seria justo nem se quedaria completo o meu perfil, se não fizesse este aparte ao tema que me proponho no título do meu Blog, mas quase desde o primeiro episódio que vos pus ao corrente da minha necessidade de expandir.
Já não é a primeira vez que me ponho à frente deste teclado com a ideia de falar neste tema, sem sucesso, por falta de garra que o mesmo me exige.
Mas ontem o encontro casual com a MAVAP no C.C. Dolce Vita despoletou esta urgência.
As fotos expostas mostram de tudo: salientam a crueldade humana, mas também mostram o amor infinito na pessoa de um sem abrigo e do abraço sentido ao seu estimado amigo. O mais curioso é que a foto que mais me impressionou não tem ferida física como tantas outras, tem apenas (??) uma parede onde se encosta um cão, por certo abandonado, sem se mostrar, mas que transmite, não perguntem como, uma tristeza, desilusão, abandono que dói e dói .
Não há medida possível para essa dor, como também não haverá para o amor que os meus protagonistas querem dar. E é tão fácil: basta querer para o ter.
Sou sócia da Vivanimal (animal-vivanimal.blogspot.com) e deparo quase todos os dias com as dificuldades, financeiras, logísticas e legais para levarem a sua tarefa avante. E aqui faz-se jus à mentalidade portuguesa que só recorre a estas associações quando precisa dos seus serviços . Temos obrigação de pensar no que de bom traria a opção contrária: o ajudar antes. No caso da Vivanimal pede-se a quem queira ser sócio o pagamento de 2 euros mensais, que quando sobra das tantas despesas diárias de manutenção para os que podem acolher, serve para esterilizar, porque é o passo mais importante para controlar o aumento da epidemia do abandono.
Temos de valorizar quem ajuda, no anonimato e, quem dá a cara, porque é obrigada. Era o caso da Teresa, presidente dessa associação, que morreu por amor. Não resistiu à inércia alheia e fugiu-nos.
Por sua vez, a MAVAP (visitem por favor www.mavap.com.pt) traz uma lufada de ar fresco ao panorama, porque quer salientar sobretudo o bom que se faz. Diz a Madalena que é obrigatório mostrar o mau, para se ver o outro lado da barricada: o sítio onde estão os que sabem receber o que os outros deitam fora e, que por ignorância, nem sabem o que perdem.
De fonte segura, vos digo, que sei que há sempre tempo para mudar e ir crescendo no conhecimento da nossa nova atitude. Eu não nasci, nem cresci assim e agora este é o sonho que falta realizar: ter um canto onde recolher todos os enjeitados e ser a B.B. de Portugal.
A esta minha alta e, talvez impossível pretensão, oponho o consolo de conhecer muitos mais a pensar da mesma forma e saber que o muito querer vencerá.
Assim, não poderei dizer que não sabia e, que não vos disse.
Obrigada Teresa.
Obrigada Madalena.
Bem hajam;
GU
Todos os que me são chegados sabem a paixão assolapada que tenho por cães. Costumo dizer que consigo ler os seus olhos.
Contudo, devo dizer que este sentimento tão forte se evidenciou nos últimos anos. Recordo-me que na infância e adolescência vivi rodeada de gatos e, quem me segue, sabe até que a minha mãe era a avó do miau...
Quero dizer que penso que este amor foi-se instalando devagarinho, depois de ter comigo os meus 2 últimos peludos: o Black e a Luna. Há quem diga que o mais velho ( o Black) nem ia muito comigo!
Mas o amor e a sua reciprocidade tem destas coisas: vai-se infiltrando sem se dar conta momentânea e cresce sempre, enquanto deixarmos. E eu deixei, rendi-me à ternura desigual e à fidelidade que não pede exclusivo.
Não seria justo nem se quedaria completo o meu perfil, se não fizesse este aparte ao tema que me proponho no título do meu Blog, mas quase desde o primeiro episódio que vos pus ao corrente da minha necessidade de expandir.
Já não é a primeira vez que me ponho à frente deste teclado com a ideia de falar neste tema, sem sucesso, por falta de garra que o mesmo me exige.
Mas ontem o encontro casual com a MAVAP no C.C. Dolce Vita despoletou esta urgência.
As fotos expostas mostram de tudo: salientam a crueldade humana, mas também mostram o amor infinito na pessoa de um sem abrigo e do abraço sentido ao seu estimado amigo. O mais curioso é que a foto que mais me impressionou não tem ferida física como tantas outras, tem apenas (??) uma parede onde se encosta um cão, por certo abandonado, sem se mostrar, mas que transmite, não perguntem como, uma tristeza, desilusão, abandono que dói e dói .
Não há medida possível para essa dor, como também não haverá para o amor que os meus protagonistas querem dar. E é tão fácil: basta querer para o ter.
Sou sócia da Vivanimal (animal-vivanimal.blogspot.com) e deparo quase todos os dias com as dificuldades, financeiras, logísticas e legais para levarem a sua tarefa avante. E aqui faz-se jus à mentalidade portuguesa que só recorre a estas associações quando precisa dos seus serviços . Temos obrigação de pensar no que de bom traria a opção contrária: o ajudar antes. No caso da Vivanimal pede-se a quem queira ser sócio o pagamento de 2 euros mensais, que quando sobra das tantas despesas diárias de manutenção para os que podem acolher, serve para esterilizar, porque é o passo mais importante para controlar o aumento da epidemia do abandono.
Temos de valorizar quem ajuda, no anonimato e, quem dá a cara, porque é obrigada. Era o caso da Teresa, presidente dessa associação, que morreu por amor. Não resistiu à inércia alheia e fugiu-nos.
Por sua vez, a MAVAP (visitem por favor www.mavap.com.pt) traz uma lufada de ar fresco ao panorama, porque quer salientar sobretudo o bom que se faz. Diz a Madalena que é obrigatório mostrar o mau, para se ver o outro lado da barricada: o sítio onde estão os que sabem receber o que os outros deitam fora e, que por ignorância, nem sabem o que perdem.
De fonte segura, vos digo, que sei que há sempre tempo para mudar e ir crescendo no conhecimento da nossa nova atitude. Eu não nasci, nem cresci assim e agora este é o sonho que falta realizar: ter um canto onde recolher todos os enjeitados e ser a B.B. de Portugal.
A esta minha alta e, talvez impossível pretensão, oponho o consolo de conhecer muitos mais a pensar da mesma forma e saber que o muito querer vencerá.
Assim, não poderei dizer que não sabia e, que não vos disse.
Obrigada Teresa.
Obrigada Madalena.
Bem hajam;
GU
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