quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

2012 \0/

Nada como tentar escrever com esperança num dos muitos momentos em que me sinto deprimida.
Para mim é até mais fácil dizer bem, num dia menos bom. Talvez porque seja uma pessoa de contradições. E quem não o é, que atire a primeira pedra! Cuidado com a pontaria...

Os doutores analistas prevêem um ano difícil . Qualquer coisa a haver com Pib, Euribor, Ações (não tem nada a ver com as boas) e Bolsa ( esta embora tenha a ver com a carteira, não tem nada a ver com moda).
O tempo, metereológicamente falando, também não está a ajudar. Que seca!
O poder de compra desce, o desemprego sobe (desculpem a capicua) e os políticos cospem comentários cada vez mais inapropriados. Oh Cavaco, até tu fazias melhor figura como o presidente das poucas palavras e ações ( também estas não têm nada a ver com as duas de cima).
A serenidade do nosso povo é criticada, embora saibamos que os brandos costumes nos trarão um pouco mais de crédito troikiano e quicá uma maior percentagem de turistas.
As redes sociais enchem-se de jocosos comentários:LOL .Repetidos apelos do " vamos para a rua", mostrar que também nos indignamos de vez em quando. Ao menos de vez em quando!
Os feriados são cada vez menos. O Carnaval, esse não sei se o será para o ano. A ver vamos, camaradas trabalhadores!
Valha-nos ao menos um ou outro tresloucado para dar um certo colorido aos nossos noticiários.É que o tema da crise já está um nadinha demodé. Embora se diga à boca cheia ( não de comida ) que o pior ainda está para vir...
E já que toco no assunto, não deixo de falar no nosso forte espírito solidário. A carrinha branca da Mercedes(matrícula deste ano) do "Banco Alimentar", que vi no centro de Viana do Castelo, que o diga. Como se ela pudesse falar!

E agora cala-te tu, que já falaste demais.
A tua sorte é que ninguém lê estes teus devaneios e além de tudo o tempo da PIDE já era. E mesmo que ela volte ou até já cá esteja ( personificada em algum parêntesis ) não te vão dar o devido valor, acredita.

Palavra da;

GU




sábado, 26 de novembro de 2011

A mercearia do Vinhal

Não sei se ainda existe, a mercearia do Vinhal.
O espaço sim ,mas não será a mesma coisa sem a sua protagonista: a Custodinha!
Vi-a esta terça feira e veio à memória tanta coisa passada, quase já esquecida.
Não sem antes reparar como está tão velhinha!
Mulher dos seus setenta e muitos ? Talvez mesmo oitenta e tal? Seguia de passo miudinho e rápido, como se a vida a continuasse a obrigar ao esforço de outros tempos. Corcunda como parte da história que se contava dela, pela boca dos outros. Porque da dela só mesmo a pressa de atender quem estava por servir e a vontade de ajudar quem procurava crédito com conforto. Eu fui uma das que percebi que a ambição do seu negócio tinha quase tudo a ver com a forma como, através dele, criou três filhas. O marido (nunca soube porquê) esteve preso muitos anos. Falava-se à boca cheia em infidelidade, mas com certeza não teria sido a causa da detenção. Pelo menos direta.
Na altura, meados dos anos oitenta, ainda havia a mercearia de rua onde se recorria para as compras do mês e se assentavam as contas num livro comprido e estreito. Os clientes, por sua vez, tinham um mais pequeno, quase quadrado, onde se tomava nota ao mesmo tempo, para se poder confirmar, de quando em vez o total e, gerir o dinheiro de cada clã.
Eram espaços comerciais cheios de variedade. Vendia-se desde batata a granel e o quartilho do vinho, direto da pipa (às vezes com flor), até à meia calça e o brinquedo, sempre muito pouco didático, mas não menos apetecível por qualquer petiz, mais ou menos afortunado.

Quem me conhece, sabe que sou filha de comerciantes. Do café Azevedo e da mercearia Mavica, tirei grandes lições de vida e apurei a minha queda para a arte de vender. Nessa altura, entre os anos 60 e 70, a mercearia era também um confessionário, onde todos falavam, escutavam e comentavam a vida alheia.
E até ao nascimento dos primeiros supermercados e grandes superfícies, a mercearia do sítio era de onde tudo se levava e por onde tudo se dava a conhecer.
Geralmente eram geridas por mulheres de mão firme. Nas raras vezes em que era um homem o dono, o mesmo tinha de se familiarizar e quase afeminar, para saber como responder às solicitações do mulherio.
Ali se sabia quem estava doente, quem tinha engravidado e onde mais se passava o quê, quando, onde, como e porquê. Bem, há que dizer que havia sempre alguns porquês, dependendo de quem se deitava a adivinhar. Pode-se dizer que foram essas criaturas, os ascendentes da panóplia dos comentadores atuais das nossas televisões, que pensam que tudo sabem.
O provedor que não me ouça!

Da casa Mavica ( diminuitivo de Manuel Vieira Carneiro, meu pai ) e da mercearia da Custodinha, muitas histórias retive.
A riqueza de personagens é tão grande que tenho dificuldade de as trazer ao blog.
Seria mais fácil escrever um livro. De muitas páginas!
Posso começar, em jeito de exemplo, por contar a angústia da Melinha, nos dias anteriores ao jogo do Benfica, da sua alegria ou pesar após a vitória ou derrota do clube do marido e dos três filhos, todos rapazes, para sua desgraça. O olho negro ou até o braço engessado eram frutos da bebedeira levada a extremos dos fãs zangados ou até contentes...demais!!
Era a violência doméstica, às vezes escondida, mas só por vergonha. Por não ser punida era considerada normal.

O caso da Joaquina padeira, cuja filha tinha parido ontem uma menina, fruto de uma relação com o professor de Português, das aulas recebidas à noite, já que a Rosa tinha de distribuir o pão durante o dia.
-Ainda no domingo passado, a Rosinha me entregou a regueifa e disse ao meu homem que a rapariga não trazia boa cara. Mas daí a pensar que andava de barriga de nove meses, nunca tal me passaria - contava a Miquinhas do Souto - Coitada da Jaquina. Já não lhe bastava o filho naquela cadeira...Puta de vida!

E já porque se trata de um Blog e, nele quase tudo caber, não vos deixo sem uma história pitoresca, quase cómica.

A Sarinha da Ilha ( nome dado a um aglomerado de casas, onde se ouviam o mais leve sussurro de amor ou o peido mais resguardado ), tinha por hábito chegar à mercearia e gritar:
-Gusta, parte-me aí quilo e meio de fêveras. Bem fininhas, rapariga.
Ao aproximar-se, depois de deixar tudo boquiaberto pela quantidade, pedia-me, baixinho, que lhe servisse quarto e meio, para menos do que para mais.
Era uma mulher com barba (literalmente falando), muito baixa e gorda. Uma pipa com cabeça, dizia o ti Manel, seu marido.
Uma família altamente rica em episódios burlescos.
Desde o dia em que os fiscais da televisão apareceram em casa da Sarinha e ela, que não pagava a taxa televisiva, assegurar que só tinha a antena em cima da mesa, porque ainda não tinha tido dinheiro para comprar o aparelho, apenas a antena! Por sorte ( digamos assim! ) tinha tido a genial ideia de esconder o enorme eletrodoméstico na arca da salga das carnes, situação que não ocorreu a nenhum dos homens da rusga. Nem nunca de novo à Sarinha, que depois de a colocar ao sol durante oito dias, nunca mais pode ver o episódio do Sandokan. Serviu-lhe de consolo, nessa fase, a radio-novela Simplesmente Maria.
Não se ficava atrás a loucura da pontualidade do Ti Manel que exigia às duas filhas, Helena e Berta, chegassem escrupulosamente à hora marcada, após a permissão para o passeio do domingo à tarde.
Um enxerto de porrada, se chegassem um segundo depois ou um despejo até à mesma hora, caso se apresentassem mais cedo um simples minuto.

E por aqui fico, que a divagação vai longa.
Da vossa "merceeira" Mavica;

GU

sábado, 9 de julho de 2011

Era uma vez...

..um dia que tinha nascido sem amor.
Não tinha significado o nascente, nem sequer tinha o poente.
A dor do sentimento sem explicação, quase sem tradução...
A partilha desconexa e aberta em ferida, sem remédio.
E a beleza fugidia a tomar o protagonismo desse dia.

A longevidade do devagar, do andar sem sentido.
A paragem da paixão a mirrar-se.
Agora para futuro: o amanhã eterno que não se quer e não se pode dar.
O espelho que não quer projetar a sua sombra.
E por fim o desespero de se ser o que não se previu.

A vaga do sonho morta ao nascer.
A praia que não a alberga, só a enaltece.
Porque o que não nasce, pode-se inventar.
Brincar a adivinhar o que se podia ter feito.
O fumo do fogo que não se acendeu.
E a fragilidade do eu sem ti.

Admito que quero o que não se me destinou.
Choro e rio na praia deserta.
Mergulho na vertigem do azul do céu.
Rodopio ao som da tempestade.
Retiro o que quis dizer.
E afirmo que o voltarei a fazer.
Vezes com fim...

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domingo, 29 de maio de 2011

Desabafo Pré - Eleitoral

E para que não digam que só sei falar depois, vou fazê-lo antes de.

Começarei por dizer, que a minha profissão me permite constatar que já não há mais crises como as de outrora. Pelo menos, como aquela que me falava a minha tia (da parte do meu marido) Mid . Por cima dos seus quase 80 anos referia já ter passado por muitas e continuava a considerá-las úteis para " acabar com os paraquedistas " . Proprietária de uma pequena ourivesaria na Rua Passos Manuel, da nossa invicta urbe, talvez as vantagens agora, depois do seu nonagésimo aniversário, se sobreponham a essa e, a sua veia de agiota engordado com o sangue dos outros, já para não falar no suor e lágrimas de quem lá deixa as joias de família largamente descompensadas.

Mas já que habituei os meus seguidores ( poucochinhos, talvez devido à crise! ) a catalogar os temas, aqui vão algumas das variedades para o presente assunto:

Crise financeira- a mais vulgar e persistente
Crise de personalidade - a que mais me aborrece (ou afeta?)
Crise existencial - essa não será mais com Deus?
Crise espiritual - a que tem mais sinónimos
Crise política - Ver título...

...e haveria muitas mais, embora para aqui pouco chamadas.

E por falar em chamar, queria atrever-me a fazê-lo aos milhares de portugueses que irão votar no próximo domingo e, principalmente, aos que dizem não valer a pena e enfolarem-se ao justificarem, despejando frases a cheirar a podre.

Já que se fala tanto da utilidade do voto ou do voto útil, que não será a mesma coisa, mas que para mim serve, por desaguar naquilo que quero exprimir e que é:

Chamem-me o que quiserem, bem o que quiserem não, mas podem chegar a intitular-me de um pouco idealista e até idiota - como vem tudo de ideia, não me importa.
E a a ideia que eu tenho é que não faltam dessas coisas em Portugal ( refiro-me às ideias ), embora cada vez menos as que crescem e muito menos as que são postas em prática.

Estão ilibados (não se leia perdoados), os que não viveram o antes 25 de Abril do ano de 1974, mas considero culpados, com prisão efetiva e, acima de tudo afetiva, os que por lá viveram e testemunharam a injustiça da guerra do Ultramar, a fome sem subsídios, a expressão silenciada, os deveres sem direitos. Mais que tudo a paixão dos torturados e dos que morreram a acreditar que os seus filhos seriam mais livres.

Poderei até estar de acordo que a partir do dia 26 de Abril, do mesmo ano, muitas das boas intenções, do dia anterior, degeneraram e obrigo-me aqui a admitir o sectarismo, a burocracia,a corrupção e o nojento abuso de poder, talvez em nada diferente ao de Salazar e outros que tais.

Sim, é verdade que até se pode comparar o incomparável.

Sim, é também verdade que ficando em casa a ver primeiro as sondagens e depois os resultados, teremos mais dignidade, sentados no belo sofá, sabendo que nesse mesmo dia cumprimos o desejo de tantos que já não têm voz. E reparem que não me refiro aos apoiados pelos pequenos partidos sem assento. Porque esses, graças aos outros, sempre se podem fazer ouvir. Para isso bastará colocar uma cruz ou então ir lá e não não a colocar, percebem? Ou tenho de fazer um desenho?

Com ironia se despede esta vossa livre amiga;

GU

sábado, 30 de abril de 2011

Já agora...

...que ninguém contraria esta pouca vontade de continuar a escrever, resolvo recomeçar. Pelo menos mais só esta singular vez. E talvez só para contrariar...

De nada me vale recusar a grande falta do não escrever, alegando as mais diversas razões.
E reparem nas muitas que poderia escolher: falta de tempo durante a digna emoção ou ausência de inspiração nas horas vagas, a abstenção dos poucos seguidores, a falta de muitos mais, mas acima de tudo a pouca provocação a que me sujeitam quem me conhece ( ? )

Pródiga em desculpas ( quase convincentes de tão lógica aparente ) naquilo que não faço pelos outros, sobra alguma percepção do porquê do que os outros não me fazem.
O problema é o espírito, às vezes tão mesquinho, picuinhas até , não deixar ver além do táctil. E isso prejudica-me. Afasta a vontade de me sentar e fazer o que mais gosto em partes do meu tempo livre ( o vulgar part time ).


Mas às vezes também, em muito poucas, há a sensação que, apesar de ter como seguro a inferioridade da minha escrita, comparada a tantas outras que idolatro ( e até invejo...), há a certeza do bem que me traz este "despejar" de ideias e sentimentos.

Chamem-lhe idiotices e pieguices, mas chamem-lhe alguma coisa. Espicaçar é o vosso dever, nem que com isso me façam, dificilmente, desistir e acabar.
A ver vamos o vosso poder e a minha fraqueza.

Desta vossa desafiadora amiga;

GU

sábado, 20 de novembro de 2010

O cair da folha

Vi-me hoje confrontada, por alguém que muito me diz, a continuar esta minha odisseia.
Sem grande inspiração resolvi substituir o "falar por falar" pelo "escrever por escrever".

Vai daí, lembrei-me das estações do ano e mais precisamente do outono: o meteorológico e o da vida.
Do primeiro toda a gente sabe que com ele vêm os dias mais pequenos, a chuva, o frio, a paisagem amarela acastanhada e o desejo de tudo que é mais quentinho.
Do outro (o outono da vida) posso dizer que em tudo se assemelha. A vida torna-se mais rápida e nem os momentos menos bons escapam à fugacidade. Põe-se em dúvida o que era como certo e começa a escapar-nos a capacidade de nos sabermos capazes de enfrentar a proximidade de uma estação mais agreste.
Há, por vezes, lampejos de esperança e os dias do Santo Martinho em que o sol se apresenta a armar-se em dias de verão, dão um novo sentido ao acordar.
Para mim há dias de outono tão bonitos de alegria aos de uma primavera ou verão. O espírito é que manda. Quando essa parte de nós está disposta (bem) consegue retirar de um dia chuvoso e frio a ideia de tristeza e apenas o aconchego de uma lareira ( nada de recuperadores de calor) , de uma simples chávena de chá quente, de um cobertor ( que em nada substitui o amor ou o carinho) serve para o dia perfeito.
O cair da folha serve de desculpa para a queda do cabelo ou a recaída na depressão. Essa é a forma mais simples de fugirmos a melhores e mais reais explicações e à custa desses lugares comuns da idiotice humana caímos em certezas assumidas, por profissionais das coisas, que ajudam a tirar o sentido das magníficas hipóteses que temos de dar a volta.

Acabo esta minha dissertação a afirmar que qualquer das quatro estações serve para ser feliz e que se a folha que cai morre, fertiliza a árvore que lhe deu a vida para que torne a verdejar vezes sem conta e deixem-me ter a esperança de que em cada nova folha estará um pouquinho da folha atrás caída...

Da vossa outonal amiga;

GU

sábado, 25 de setembro de 2010

O Estado do Orçamento

Quem me conhece, bem sabe que não sou rapariga de politicar muito a vida, ou seja, dou pouca importância aos telejornais na parte das queixinhas e troca de galhardetes da Assembleia da República.

Considero porém que é impossível, mesmo ao mais distraído português, não sentir, nestes últimos tempos, que algo vai mal, neste cantinho à beira mar... onde há 36 plantamos uma revolução para mudar a ordem das coisas e banirmos a ditadura.
Não sou das que alguma vez pedi a mão de Salazar de volta. Não me faz falta lembrar a miséria contada e alguma até sentida, desse absolutismo.

Vivemos agora os contrários do outrora. Senão vejamos:
À miséria contrapõe-se o desperdício.
À censura, o sensacionalismo.
Ao medo, o descaramento.
À injustiça, uma justiça sem nexo.
E ao heroísmo, a corrupção.

Também não sou das que penso, embora às vezes o diga, que deviam-nos anexar de novo a Espanha. E fico até ofendida, quando deparo, ou antes, não deparo, na capital de Portugal, aquando a emissão dos boletins meteorológicos internacionais, dando azo, como todos sabemos, a que parte dos estrangeiros pensem que o nosso país é uma província espanhola e consequentemente a nossa capital é Madrid( essa sim já figura na dita informação).

Tenho, sem dúvida, o secreto desejo de mobilizar a nação e mostrar que a espada de D. Afonso Henriques ainda corta o que é preciso para reerguer o nosso patriotismo e garantirmos aos filhos dos nossos, a opção de querer cá viver, sem recorrerem a subsídios e rendimentos da preguiça que é grande inimiga da dignidade de ser português ou portuguesa.

Agora não me perguntem a melhor forma de lá chegar, pois não vos sei responder: muito menos sucintamente. Só vos quero exprimir a sensação de que teremos de recomeçar por algum sítio e não esmorecer ao primeiro entrave.
Padeiras de Aljubarrota não nos hão-de faltar e já agora vos digo que não há certeza absoluta de que D. Sebastião tenha perecido e por isso podemos continuar a desejar...


Desta vossa portuguesa;

GU

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Blá Blá

Pois é meus amigos, muitas vezes penso que tenho a profissão do blá blá.
Dantes a melhor designação para a mesma, seria a de caixeira viajante, embora penso que pertencia mais ao género masculino.
Bem burras eram as representações passadas, por não admitirem e aproveitarem o poder argumentativo, de persuasão e de exagero do clã feminino.

Na nossa classe, sexualmente falando, há as moscas mortas e as fala barato.
Eu pertenço, sem demagogia alguma, à última. Há um dia por outro ( o meu marido assegura que são mais) em que me mantenho de mau humor quase as 24 horas, zangada muitas vezes com não sei o quê.

Tenho um colega de profissão, pertencente à espécie masculina, outra vez sexualmente falando, porque o sobrenome Robalo, faz-me sempre lembrar, sem ofensa, a minha ida ao Modelo...
Voltando ao que vinha, o Sr. Ângelo Robalo que é conhecido por muitos como o "pobre alegrete", sempre com a piada na ponta da língua (ou da guelra:), costumava justificar a sua postura de vida por se lembrar um belo dia( parece-me que foi um domingo ) ter acordado e decidir logo nesse primeiro momento, que iria andar aborrecido durante uma semana, para ver se a vida lhe sorriria da mesma forma: pobremente.
Qual não foi o seu espanto, transmitiu-me ele, que passado oito dias continuava sem cheta, malgré a aposta de 4 euros no Euromilhões , preenchido de cara fechada, e do qual só se safou uma estrela com o seu número de fé: o quatro.
Ora a conclusão foi a óbvia: mais vale alegrete pobre do que tristete, pobre também.

Pois, mas com isto perdi-me ao que vinha: dar-vos a conhecer a minha forma de vida, agora profissionalmente falando, para vos ir prevenindo que muitas estórias ireis ler da minha história das vendas.
Há que admitir que é dos empregos com mais diversidade de experiências humanas. Aí, tanto eu como o Robalo, somos N de ricos.

Quando me quero armar, costumo dizer que a minha ocupação tem de muito de psiquiatra, antes de psicóloga, porque pelo que sei a primeira pode escrever receitas e, nesse campo, o mais parecido foi talvez o dia em que dei um Benuron 500, que trago sempre comigo, à Maria do Céu de Fiães, cliente cuja máxima é de que as suas vêem pulgas em Roma.

Agora que o meu marido me chama para ir para a cama (digam lá se não é delicioso este pormenor descritivo a roçar a revista do paparazi pimba?), só tenho tempo para vos dizer que hoje estou contente com a vida e prometo voltar à carga para quem quiser saber mais.Para quem não quiser o meu muito obrigada por existirem e me darem força, sem querer, de provocar com o que vocês intitulam de "maluquices".

Da vossa Maluquinha de Baguim;

Gu ( Blá Blá)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

O meu 25 de Abril

Suponho que tenha sido o Zeca ( o Afonso) que tenha redigido a frase:

"Não há machado que corte a raíz ao pensamento"

E tenho a certeza que nunca chegou a saber que cantá-la me custou uma bela bofetada, daquelas que popularmente se diz " ficar de cara ao lado", administrada pela mão pesada do meu pai, que poucas vezes a usava para esse efeito, justiça lhe seja feita.
A culpa desse gesto deveu-se a outro Zé ( o meu primo), que à laia de querer vir estudar para ser padre, teve de ficar uns dias em nossa casa, antes de dar entrada no seminário Bom Pastor, em Ermesinde.

Passados 40 anos desse episódio da minha vida, não o reconhecerei, com toda a certeza, atrás de um qualquer altar, mas não se apagará, além do comentado tabefe, a alegria de o ver trautear poemas tão cheios de imagens que até para mim, com apenas duas mãos cheias de anos, me faziam sonhar com algo que não sabia explicar até àquele dia 25.

E foi assim que pela primeira vez ouvi falar de comunistas, apresentados como os verdadeiros culpados do derramamento provável ( agora sei que só provável) de sangue. Tenho a informar o partido que esse boato lhes tem custado, desde então, um voto.

O antes faz-me pensar na licença da televisão, nos fiscais(futura ASAE ?) da mercearia dos meus pais e que instauraram a caça à multa, a roupa para ir à missa, o leite não pasteurizado que agora se designa leite do dia, a colher diária do óleo de fígado de bacalhau, para ter direito à refeição escolar grátis e , entre muitas outras, a sensação do medo inerente.
Seria ilógico não me referir à guerra do Ultramar , igual ou não a qualquer outra, mas de certeza tão estúpida , que além de matar, literalmente muito decepava: física e espiritualmente. Não sei se será perdoável perante o cenário descrito, dizer que eu era feliz...

O depois traz-me o desejo de gritar, em jeito de continuação à canção inicial que "porque é livre como o vento": o pensamento. Então lembro a liberdade de expressão, os centros comerciais, o usa e deita fora (reciclando, se possível), a Internet, palavra que dá erro se escrever com letra pequena( vá-se lá saber porquê!) e a vontade de pedir que se reescreva a revolução, nem que apenas um bocadinho, por cada um, todos os dias, se possível de manhã que é quando começa o dia e em que temos obrigação de sentir que vale a pena mudar para melhor. E garanto, que às vezes, também sou feliz...



Da vossa revolucionária amiga;

Gu

P.S.: Soube (pelo amigo Google) que afinal a canção a que me refiro foi escrita por Carlos Oliveira e cantada por Manuel Freire, mas mantenho o texto por achar que tinha assentado muito bem ao Zeca e por ter sempre acreditado que era dele .

p.s. do P.S.: e por um um nadinha de preguiça ?

domingo, 22 de agosto de 2010

O Inter Rail da Saudade

Começo esta pequena confissão sem saber o que dizer, ou antes, com a ideia de que não irá sair nada que se aproveite...Valha-me a persistência e a pitada de auto-convencimento!

Chego à conclusão de que a vida é uma fatia de improviso. Por esse motivo, estamos constantemente a ser postos à prova: noves fora nada. Vou tomar ( não propriamente ao calhas! ) o exemplo de ser mãe.

Fui presenteada com dois varões, existindo diferença de quase seis anos entre os partos e, devo ter assumido que seria tudo mais ou menos conforme devia ser. Explico: tentaria passar aos meus descendentes aquilo que aprendi com a experiência e, quase nunca, repetir o que considerava mau exemplo na educação dada por meus pais. O "quase" existe porque tenho como norma não ser radical, em linguagem popular "não cuspir para o ar"!

A esperança média de vida nas mulheres em Portugal ronda os 80 anos, mas se fosse o dobro teria mais hipóteses para mudar de opinião outras tantas vezes. Perto dos 50, a vida já me trocou muitas certezas.

Indo directa ao assunto, tenho de admitir que tenho saudades de ser a mãe que manda e é obedecida, mesmo que usando alguma força e sujeitando-me à possível troca :( "-Quando fores ao supemecado bou contigo e bou compar uma mãe nova :(.
Tenho vontade de voltar atrás e tirar partido uma vez mais ou, vezes sem conta, do que foi desperdiçado ou pensado como menos importante.

A colheita do que semeei são dois excelentes filhos, modéstia incluída, duas personalidades opostas. Habitualmente dizia que tinha um Becas e um Egas, embora também nos sentimentos, nunca soubesse qual era qual. E eis a primeira máxima deste episódio: Educação Igual não significa o mesmo Resultado, embora também exista uma mínima : os meus dois filhos têm o mesmo interior, se é que me faço entender. Se não faço, paciência. Este blog destina-se a quem me percebe, peço desculpa...

A "Rua Sésamo" serviu até à adolescência. Ultrapassada essa fase etária, digo que tenho um Che (Guevara e não Gabara) e outro que não o é, mas é tanto o mesmo para mim. Já disse, e repito, que este capítulo é para quem entende o Amor, está bem?

Todos temos um herói, ou um anti. Nem sempre soube é que alguns de nós somos obrigados a ter um, sem o escolher. O meu, o de livre vontade, seria um dos da ficção, tipo o Super Homem ou Aranha, embora não tenha nada contra El Che, o argentino-cubano. Não entendem? Pesquisem, porque eu assim o fiz!

Ao navegar na sua biografia descobri a coincidente asma, aventura, persistência de ideias quase (?) fixas, a revolução e acima de tudo, por tão actual, as duas viagens em La Poderosa, atrevo-me a dizer Inter Rails do passado e tão presente para mim.

Ao cresceres dentro de mim, ao puxares, em direcção contrária, logo de início, pelo cordão umbilical, quiçá por saberes o mundo que não desejas, ao transformares grande parte do que te imprimi num livro mais completo e mostrares que os contrários se justificam, só te posso pedir que me incluas na tua aventura que não quero aceitar, mas sei que tem de ser, por não haver outra forma!

Num dos episódios anteriores ( ver caixa ) disse ter sido informada de que não devia começar o blog a pedir desculpa, mas não sei se terá importância acabar com o mesmo pedido. Vou arriscar e fazê-lo, por esta carta indirecta e ter sido tão cruelmente directa com quem, supostamente, já não me estará a ler, por desistência num dos parágrafos atrás...

Aos que ficaram, o meu muito obrigada e, para ti, o meu beijo especial e único;


Gu ( mãe )

P.S.: "NÃO QUERO NUNCA RENUNCIAR À LIBERDADE DELICIOSA DE ME ENGANAR" - Ernesto Che Guevara

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Brincar ao amor

Nunca será demais o elogio aos bons sentimentos, onde o amor é rei sol.
O casamento do meu filho foi a sua personificação. Não direi nas quase 150 pessoas que assistiram, mas em muitas de alma aberta para brincar ao amor. E eu fartei-me de brincar!
Se fosse um filme o dia 01 de Agosto de 2010 seria"Um Longo Domingo de Noivado".
Se fosse uma canção seria "Purple Rain".
Se fosse um livro era com certeza "O Principezinho" de toda a biblioteca.

Dizem que a perfeição é irreal, mas tenho como seguro que senti-la é possível. Fui testemunha desse facto, à margem de alguns pequenos contratempos que, incrivelmente, a tornaram possível.

Os que já assistiram a este tipo de bodas, sabem que são rotineiras, vezes sem conta a roçar o enfadonho.
Mãe do noivo não será para levar muito a sério, mas se até o habitual "Corta Sabores" ficou esquecido, quem sou eu para negar que houve magia no ar dos corações: os tais de alma aberta, que refiro nas primeiras linhas?

O casamento para mim será sempre a instituição mais vazia de significado e a menos credível de fidelizar qualquer boa intenção. O da igreja e o do registo idem aspas.
Vai daí, quem me segue nestas solitárias tertúlias, terá de acreditar que algo de especial se passou este domingo e que o amor levou a melhor !

Há quem tenha tendência de catalogar esse grande sentimento: há o amor de mãe, o de irmão, o da esposa, o do cão, do gato e mais alguns, mas dividir, neste caso, sabe-me a banalizar o maior dos maiores.

E por aqui me fico ao acreditar neste bom presságio e pedir a todos que me lêem que gritem (baixinho) comigo:

VIVA O AMOR !!


Desta vossa apaixonada confidente;

Gu

sábado, 10 de julho de 2010

A medida da dor

Pois não sei como começar ao que venho, por ser tão profundo e daí custar arrancar.
Todos os que me são chegados sabem a paixão assolapada que tenho por cães. Costumo dizer que consigo ler os seus olhos.
Contudo, devo dizer que este sentimento tão forte se evidenciou nos últimos anos. Recordo-me que na infância e adolescência vivi rodeada de gatos e, quem me segue, sabe até que a minha mãe era a avó do miau...
Quero dizer que penso que este amor foi-se instalando devagarinho, depois de ter comigo os meus 2 últimos peludos: o Black e a Luna. Há quem diga que o mais velho ( o Black) nem ia muito comigo!
Mas o amor e a sua reciprocidade tem destas coisas: vai-se infiltrando sem se dar conta momentânea e cresce sempre, enquanto deixarmos. E eu deixei, rendi-me à ternura desigual e à fidelidade que não pede exclusivo.
Não seria justo nem se quedaria completo o meu perfil, se não fizesse este aparte ao tema que me proponho no título do meu Blog, mas quase desde o primeiro episódio que vos pus ao corrente da minha necessidade de expandir.
Já não é a primeira vez que me ponho à frente deste teclado com a ideia de falar neste tema, sem sucesso, por falta de garra que o mesmo me exige.
Mas ontem o encontro casual com a MAVAP no C.C. Dolce Vita despoletou esta urgência.
As fotos expostas mostram de tudo: salientam a crueldade humana, mas também mostram o amor infinito na pessoa de um sem abrigo e do abraço sentido ao seu estimado amigo. O mais curioso é que a foto que mais me impressionou não tem ferida física como tantas outras, tem apenas (??) uma parede onde se encosta um cão, por certo abandonado, sem se mostrar, mas que transmite, não perguntem como, uma tristeza, desilusão, abandono que dói e dói .
Não há medida possível para essa dor, como também não haverá para o amor que os meus protagonistas querem dar. E é tão fácil: basta querer para o ter.
Sou sócia da Vivanimal (animal-vivanimal.blogspot.com) e deparo quase todos os dias com as dificuldades, financeiras, logísticas e legais para levarem a sua tarefa avante. E aqui faz-se jus à mentalidade portuguesa que só recorre a estas associações quando precisa dos seus serviços . Temos obrigação de pensar no que de bom traria a opção contrária: o ajudar antes. No caso da Vivanimal pede-se a quem queira ser sócio o pagamento de 2 euros mensais, que quando sobra das tantas despesas diárias de manutenção para os que podem acolher, serve para esterilizar, porque é o passo mais importante para controlar o aumento da epidemia do abandono.
Temos de valorizar quem ajuda, no anonimato e, quem dá a cara, porque é obrigada. Era o caso da Teresa, presidente dessa associação, que morreu por amor. Não resistiu à inércia alheia e fugiu-nos.
Por sua vez, a MAVAP (visitem por favor www.mavap.com.pt) traz uma lufada de ar fresco ao panorama, porque quer salientar sobretudo o bom que se faz. Diz a Madalena que é obrigatório mostrar o mau, para se ver o outro lado da barricada: o sítio onde estão os que sabem receber o que os outros deitam fora e, que por ignorância, nem sabem o que perdem.
De fonte segura, vos digo, que sei que há sempre tempo para mudar e ir crescendo no conhecimento da nossa nova atitude. Eu não nasci, nem cresci assim e agora este é o sonho que falta realizar: ter um canto onde recolher todos os enjeitados e ser a B.B. de Portugal.
A esta minha alta e, talvez impossível pretensão, oponho o consolo de conhecer muitos mais a pensar da mesma forma e saber que o muito querer vencerá.
Assim, não poderei dizer que não sabia e, que não vos disse.

Obrigada Teresa.
Obrigada Madalena.
Bem hajam;

GU

sábado, 3 de julho de 2010

Ode à minha Mãe

Preciso de falar ...contigo.
Dizer-te o que falta contar.
Trazer de volta o teu saber aconchegar.
Dar-te conta do que se passou e continua a passar.
Sinto vontade da tua aflição em dar o que tinhas e o que imaginava que davas, não tendo.
Cresce dentro de mim a imagem tantas vezes ignorada do teu grande gesto, tão mais ténue quando físico.
Agora que não te ouço, tenho em mim a memória das doces zangas.
Hoje que não te vejo, vislumbro o teu sorriso e quase que o teu choro.
Tenho um bocadinho de ti sempre presente.
Encontro, em todos os momentos, desculpa para te amar.
E quero que saibas que o teu cheiro matinal continua a nascer e a morrer devagarinho todos os dias...

E sei que de onde estás, sentada no trono dos Justos, reconheces que faço o possível por compreender o que devo seguir e aproveitar as leves pisadas que deixaste tão vincadas na areia do meu ser.
Nunca te esqueças de me relembrares a tua história, onde encontrarei sempre refúgio e paz.

Estas são as palavras que sempre te direi:

Dorme bem;

Gusta

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Editor, precisa-se

Hoje tentei armar-me em escritora!
E vai daí a primeira tentativa é definir o meu tipo de escrita: isto há cada tipo...
Se me permitirem, vou misturar um pouco géneros e sub-géneros, para que resulte num género de análise à questão. Ele há: drama real( ou não ), comédia romântica, ensaio, conto, prosa e rima, letras para música, argumentos de cinema, histórias para telenovelas e muitos etc. Há o narrador presente e o ausente, a metáfora, o discurso directo e o outro nem tanto, a epopeia e até o sarcasmo. Não resisto a afirmar que há também quem use um estilo tão especial, tão livre que não dá para ler, ou antes, para interpretar. Perdoa-me Lobo Antunes, mas já tentei por duas vezes, sem conseguir avançar.
Longe de mim, tirar valor a quem o tem, mas se considero que a escrita é uma das maiores forças da natureza, não será aqui e, neste ponto, que me vou dar à fraqueza de me inibir.
Sou mulher para admitir que há ocasiões para tudo. Quem nunca teve vergonha de se sentir bem a ler, ouvir, ver ou a admirar algo inferior, digamos: pimba? Claro que para isso, terá de ser alguém a quem se atribui alguma intelectualidade ou alta escolaridade.
Tenho uma querida amiga, médica de profissão, que odeia ver qualquer programa sobre medicina e, tenho outra, que passa o tempo livre (?) enfiada em enciclopédias do ramo ou a assistir a todos os congressos sobre o assunto. Já para mim é um gosto assistir à "Anatomia de Grey", embora tenha de confessar que desisto, quando por questão de continuidade, já quase não há mais nada que possa acontecer: como, por exemplo, já todos terem dormido uns com os outros, "malgré" serem médicos ou enfermeiros e até doentes. Depois mata-se um ou outro e substitui-se. Desculpem a ousadia, mas estamos mesmo na era do usa e deita fora.

Se há uma coisa que possa caracterizar o meu estilo( sim, porque também sou detentora de um, pois claro), é divagar sem fim. Haverá já definição para este meu problema?
O Rui( o Zink) que me perdoe, mas não me sai da cabeça que, se não fosse apenas ter lido um seu livro, uma única vez e, há bem pouco tempo, o autorizaria a acusar-me de plágio. E, o mais ridículo é que soubesse, de antemão, o que ia conhecer no seu "Apocalipse Nau", não o teria feito, ou seja, lido.

Por isso aqui deixo pedido: Por favor, ajudem-me a definir e já agora:

Arranjem-me um editor.

Tenho escrito(ou dito)

GU

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Não me apetece (pôr título)...

E cá estou de novo, conforme prometido.
Escrever ao Deus Dará...
Garanto a quem me estiver a ler que não é nada fácil a tarefa de escrever sem tema proposto e, ao mesmo tempo, não fugir muito ao tema anteposto.
E por isso, como o meu filhote me deu as boas noites neste momento, vou dedicar-lhe este pedacinho de escrita, porque também, apesar de mais velho, não tem sido tão visado. Talvez o meu primogénito não tenha passado por todas aquelas fases ditas especiais ( há quem lhes chame estúpidas) e não dê tanto para me ajudar nesse tal conflito...
Pois é curioso: há a idade do armário,a puber(i)dade, a 1ª. e a 3ª., a menopausa e andropausa, que para mim será a idade do meio e, que não tem nada a haver com descanso ( pausa ), antes com uma agitação às vezes sem norte ou explicação.
Mas, voltando à fava quente, desculpem à batata, pois as favas só podem ser contadas, passarei a falar do meu morgado ( hoje estou um tanto virada para os sinónimos, não acham?)
Nascido há 25 anos, resolveu por bem, casar e partir...voar do ninho, há quem diga. E logo vos direi o que irei sentir, porque há um misto de sentimentos e sensações do antes. Comentarei o depois, logo que ocorra. Fica quase uma garantia de que vai suceder, porque estou convencida que serei obrigada a plantar o que me estará na alma, nesse arrancar da sua e minha nova vida.
Vamos então, por agora, analisar alguns lugares comuns, em estilo directo:
-Também nós já fizemos o mesmo aos nossos pais.
-É a lei da vida.
-Não se perde um filho, ganha-se uma filha.
-O que é preciso é que sejam felizes...
-E tenham saudinha...

E seria um sem fim de leviandades rotineiras que, assim expostas, até têm uma certa graça.Eis a análise possível.

Em jeito de desabafo final, posso dizer que esta fase em que se tem um filho prestes a casar, nos torna mais velhos aos olhos dos outros ( aos meus, já estou há alguns anos atrás ). Embora, considere que o facto de se ser mãe jovem, ajuda a sermos mais cedo cotas, passo a expressão, porque não me assenta muito bem. Digo eu!(como diz a minha amiga Mimi).
E vem ai a probabilidade de ser avó. Mas, se por um lado, para quem nos conhece isso nos envelhece, pode ser que, para alguém anónimo e um pouco mais distraído, os confunda com uma mamã mais tardia...

Não quero, com isto, que pensem desagradar-me a ideia: a de ser avó. E quanto mais cedo melhor, para que possa ter hipótese de um ou outro piropo rejuvenescedor( ler últimas palavras do parágrafo anterior) e, mais que tudo, provar a alegria do renascer do sentimento de protecção, se me deixarem, pois não serei, seguramente, a actriz principal. Mas tudo farei, para sacar o Óscar do papel secundário .

Mas, deixemos essas e outras dissertações, para a próxima, se conseguir não me desviar do tema.

E já agora, vou pensar que terei a vossa ajuda. Seja ela qual for.

Até o próximo episódio.
Beijinhos da vossa;

GU

sábado, 15 de maio de 2010

Recomeçar é preci(o)so !

Eu sei que já passaram 3 meses!! E, contra o costume, até me pareceu que já tinha passado mais...
E se não fossem hoje alguns ( até parece que tenho muitos! ) dos meus pacientes seguidores, gentilmente, me pedirem para continuar, o mais certo seria passar muito mais tempo...
E razões para servirem de desculpa (esfarrapadas, talvez), não faltariam. Ora é a mais antiga de todas: falta de tempo, ora seria a mais lógica: falta de inspiração ( cadê as ninfas de Camões?), ou, por último, mas não menos verdade: misto de sentimentos.

Pois é, meus caros, tenho andado a pensar que preciso de um blog mais generalista ( olha a novidade, não é? ) ou então algum cantinho onde escrever tudo o que me apetecer, sem ferir e sem interferir. Passo a explicar: ferir outros; interferir no que realmente quero dizer.

E assim já não é a única vez que me vem à ideia de escrever anonimamente, para dar largas a tudo que me vai na alma, mas também não me satisfaz, porque me "cheira" a cobardia. E se há característica humana que me repugna, essa será uma com direito a pódio.

Sei que há sempre a opção de não auto-biografar. Escrever como se não existisse o eu da narradora. Peço então que façam o favor de guardar uma das medalhas ( ver parágrafo anterior ) para a dona hipocrisia que, para mim, ganha pontos à mentira subjacente à mesma(à hipocrisia).

Oh dilema dos dilemas! Que fazer a partir de agora em relação a este pequeno, mas já tão importante espaço( para mim ) ?
Como a experiência me foi ensinando que às vezes é necessário dar a volta contrariando, lembrei que se calhar o melhor será "forçar" e ver no que dá...

Assim sendo, tentarei escrever-(me/vos) o mais possível e ver no que vai dar...

Não precisarei dizer que seria deveras precioso ter a v/ opinião.

A vossa humilde e imensamente confusa;

Gu

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Sem título...

...ou antes sem coragem para pôr o título, porque mais uma vez vou fugir ao tema. Mas agora a culpa não morre solteira, porque este afastamento deve-se à provocação da minha amiga F. que, depois de ler a minha última mensagem sobre o amor, perguntou porque não escrever sobre o ciúme ? Ela lá saberá porque teve essa ideia...
E, como comigo "o pobre pode ir sem esmola, mas nunca sem resposta", aqui vai:

Minha amiga F.:

Disseste-me da última vez que estivemos juntas, durante uma intensa e produtiva cavaqueira, que nunca sentiste ciúme. O lugar comum que de imediato me assalta é que, se calhar, nunca amaste verdadeiramente, porque parece que os dois sentimentos andam quase sempre de mão dada, para os mesmos lados. Mas esse advérbio "quase" está aqui presente por duas razões imediatas, porque há-de haver outras...A primeira e, sem necessidade de cair nas tuas graças(porque já caí?), é a de que só quem não convive contigo poderá pôr em dúvida a não existência desse grande sentimento ( Refiro-me ao Amor), na tua vida. Depois e, não menos conclusivo, porque não acredito que o ciúme esteja sempre implícito ao amor, ou seja, há quem sinta ciúmes de alguém que não ama. Porque na vida, os sentimentos servem várias causas. Por isso digo que o ciúme pode estar ligado à vaidade, ao egoísmo e, sem me querer repetir, ao amor próprio...
Claro que aceito que possa acontecer o oposto e, que o sentir ciúme de alguém, nos leve a ter a certeza que é também amor o que nos une . Estou a fazer-me entender?
Não quero também deixar de lembrar que a tua suposição(a de não sentir ciúme), poderá, na tua opinião, estar inerente a duas questões: talvez a outra pessoa nos ame mais ou, quando a confiança impera, não há espaço para o ciúme.
Mas para isso, cara amiga, teremos de falar de ciúme doentio, que não se compadece com provas contrárias. E não há confiança que resista a uma suposta traição. E esta traição, bem comprovada, fere seguramente o amor. Como vês, não consigo falar de um sentimento sem envolver outro e outro e...
Por isso te peço ajuda e, venham mais cinco(ou dez), dizer que eu estou errada, que terei todo o gosto de me deixar influenciar, ao ponto de mudar de opinião, porque este meu blog é isso mesmo: uma exposição de crenças à espera de serem(bem)contestadas ou alimentadas.

À espera do teu e vosso comentário.
A vossa(sem ciúme);
Gu

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

E agora?

E agora que dizer sem fugir ao tema? Ai, se o arrependimento matasse, já não estaria aqui convosco. Isto porque penso que um dos maus maiores atributos é fazer os deveres sem os ter como tal, sem me sentir obrigada. Gosto mais do " apetece-me" do que do "tem de ser".
Por isso compreendam que às vezes não me disponha a falar no "Conflito". Pelos menos no de "Gerações", porque há muitos mais que não esse...Ou antes, o conflito geral diversificado será 1 dos condimentos da vida: O SAL, essa nobre especiaria, tantas vezes confundida com 1 mero alimento e depois upa upa tensões( arteriais), porque também há outras... e por aí fora...
Ora hoje, a minha alma instável e assaz teimosa ( parcos sentimentos) tem vontade de vos falar do casamento : de 1 sexo, de 2 sexos ou, daqueles que nem sexo têm, porque esse também deve existir, além da classe dos Anjos, embora e, sem vaidade alguma, não é ao qual pertenço, pelo menos por agora!
Há quem diga que essa união torna 2 pessoas n1 só. Pois eu sou da opinião que isso é impossível! Poderá, quando muito, tornar-se em 2 pessoas solitárias com companhia, o que é muitíssimo diferente !
Parece que o amor quando é verdadeiro começa por 1 fogo que não se vê e, se chama paixão. Depois vem o tal amor que ainda não distingue defeitos, embora já vá sabendo que existem, algumas quecas e um filho ou 1 par deles(Procriai-vos, já alguém dizia) .A seguir é desejável que continue numa grande amizade e acabe na companhia ou companheirismo, palavras da mesma familia (gramaticamente falando).
Claro que há as excepções, aqueles processos , só dolorosos para aqueles que ainda nutrem algum sentimento: desde amor até ódio e, que os advogados tanto agradecem:os divórcios. Já agora vos conto, que conheço 1 desses doutor das leis que me diz lhe surgir a maior avalanche desses casos de vida, a seguir ao período das férias grandes: "é o resultado do conviver 24 horas sobre outras 24 , não normal no resto do ano".
Estou neste momento a ler 1 livro que em certa altura diz que não existe amor que nunca acabe. Há sim casais que morrem antes que isso suceda, mesmo depois de 50 anos de convívio. E se fossem viáveis 100 anos, seria igual? Este exagero de raciocínio traz-me um certo arrepio,porque me faz pensar que os sentimentos são como as cerejas: apodrecem...
Continuo a dizer que 90% dos casos para terminar com a paixão/amor d1 relação extra conjungal é casá-los: veja-se o caso tão mediático do Carlos inglês e da sua Camilla Bowles (Bolas?)
Será que o amor de Inês e Pedro seria igual se não abruptamente interrompido? A Julieta aturaria o seu Romeu após sabê-lo propenso a tanto dramatismo? Desconfio que até não seria grande trabalhador esse Romeu e, sempre havia que sustentar a familia, provavelmente numerosa, já que os pais de ambos não estavam com grande vontade de lhes deixar alguma coisinha, pelo menos antes de morrerem: entendam que estou a referir-me ao falecimento de Romeu e Julieta!
Bem, eu, por mim, casada há 25 anos, depois de 7 de namoro intenso, sou a prova de ainda amar o Escolhido. De só ter a "certeza" que não o amo quando me chateia. Mas não imagino a minha vida sem ele. Será hábito? Será medo do desconhecido?
Quase que arrisco dizer que não é nada disso e tenho vontade de dizer que os 50 anos não vão chegar!!

O meu filho disse-me , depois de ler a minha última mensagem, que não se devia começar 1 novo episódio do Blog a pedir desculpa, mas aqui como por fugir bastante(ou não) ao tema proposto, despeço-me com esse pedido de compreensão para o meu problema assumidamente congénito: o de não chegar um único tema, pelo menos estático .
Sentir-me-ei perdoada, depois de ninguém me responder, porque se ninguém se dá ao trabalho é porque não tem argumento ou então"quem cala consente"

Despeço-me com mais esta provocação da vossa
GU

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Continuando...

...e antes de mais pedir desculpa a quem me vai seguindo por este meio, por não ser tão frequente como talvez fosse o ideal, para não perder interesse. Mas blogar não é sempre tão fácil como pode parecer, mesmo para quem adora falar a escrever. Principalmente tendo que seguir o fio à meada. Nem sempre me apetece falar de novos e de velhos. Há até quem diga(desculpa Décio) depois de ler, que só sei falar sobre isso. E para refutar essa impressão hoje vou falar de sabores .
Hum...e porquê?
E se eu pegar no tema assim:

Quando eu era pequenina ( como diz a canção) não gostava, ou antes, era incapaz de comer uma colher de sopa de nabos, embora eu seja do tempo de se passar bastante "necessidade" e as ementas familiares serem bem parcas. Seria um problema físico, de cheiro ou de mania?
Bem, se era, passou...E de que maneira, porque actualmente arrisco a dizer que é a sopa que melhor me sabe, se bem confeccionada, claro. Mas a minha mãe era uma óptima cozinheira de sopas. Dizem os meus filhos e sobrinhos(mais sobrinhas) que não havia sopa como a da avó do miau. Tenho a informar que o gato também já não existe, só nos nossos corações, como tudo o resto...
E passando a outro ingrediente, era vómito certo (desculpem a imagem um pouco nojenta que posso estar a proporcionar) comer ou sentir apenas pepino numa salada. E agora? Não amo, mas tolero.
Assim sendo e, em jeito conclusivo, o gosto e paladar mudarão com o decorrer da vida?

E ao contrário, acontecerá o mesmo? Ter gostado muito de comer algo que agora se rejeite ou, ainda melhor , não se suporte? E, caras amigas, não vale incluir os enjoos da gravidez!

Não me ocorre nada, mas também não me vou esforçar muito para ter a certeza, pois quero dar oportunidade de resposta a quem me quiser, pacientemente, seguir.
E embora para já em 2 abordagens, ter 1 comentário da minha amiga Márcia e sem esquecer o desejo e tentativa da minha amiga/ enfermeira Mónica, impedida por por qualquer problema técnico (fica a intenção e a alegria de me teres dito que me adoraste ler), motiva a insistência em ter mais eco no vale de emoções deste meu Bloguinho.

Nanem bem e até..

Gu

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Mais do Mesmo...

...ou parecido.
Porque hoje gostaria de dissertar um pouco sobre a "Juventude de Espírito" . Será que existem mesmo jovens velhos e velhos jovens?
Saltando a parte física que cada vez confunde mais, devido ao chamado culto do corpo e que passa desde a permanência, além do salutar, n1 qualquer ginásio até viver para as cirurgias de uma "Corporation Dermoestética"(passo a publicidade), chegamos à parte mais importante: o espírito jovem.
Há casos(não foi o meu) de muitas pessoas que se referem ou recordam os avós como os seus maiores amigos e confidentes. É certo que para isso além da tal leveza de espírito e saber transmitir sem maçar, da parte do ancião, terá também de haver abertura de espírito do jovem interlocutor.Saber falar nunca será mais importante do que saber ouvir.
E não vos aconteceu já ir buscar uma frase dos v/ pais, tios ou padrinhos que na altura em que vos foi transmitida pareceu quase ridícula e usá-la com todo o propósito e até benefício próprio?
Que é que se passou entretanto para mudarmos de opinião sobre o mesmo assunto?
Se pudesse pensar no ser humano como 1 móvel, o melhor para mim seria 1 contador com imensas gavetinhas onde, ao longo da vida, vamos arquivando o bom e o mau e, nem sempre, separadamente um do outro. Daí talvez a confusão no futuro. Ou será o peso da idade( o pdi de uma forma menos obscena e clarificadora à mesma!) ?
E agora perguntam: e o que é que isto tem a ver com a "juventude de espírito" e principalmente com o "conflito de gerações" e eu respondo, um pouco ao jeito dos "Gatos F.": nada, a não ser...
O resto é convosco ou, senão houver eco, comigo, numa próxima prosa.

Beijinhos da
Gu